Frigoríficos brasileiros continuam fora das compras de boiadas, de olho no comportamento do consumo interno de carne bovina, que até agora não decolou

Nesta quinta-feira, 9 de dezembro, o volume de negócios no mercado brasileiro do boi gordo seguiu em ritmo lento, cadenciado pela apertada oferta de animais terminados e, sobretudo, pelo afastamento de grande parte das unidades de abate das compras, informa a IHS Markit.

Nas praças paulistas, os preços dos animais terminados ficaram estáveis nesta quinta-feira, em comparação ao dia anterior, segundo dados apurados pela Scot Consultoria.

O boi gordo é negociado por R$ 317/@, enquanto que a vaca e a novilha prontas para abater valem R$ 298/@ e R$ 308/@, respectivamente (preços brutos e a prazo).

Durante a semana, as cotações do boi gordo recuaram R$ 2/@,  considerando a média das 32 praças pecuárias monitoradas pela Scot Consultoria.

Destaque para as praças de Belo Horizonte (MG) e Campo Grande (MS), onde as referências do macho terminado recuaram R$ 9,50/@ e R$ 8/@, respectivamente, desde o início desta semana.

Para o curto prazo, dizem os analistas da Scot, a expectativa é de preços frouxos para o boi gordo e demais categorias prontas para abater.

Neste momento, as indústrias frigoríficas manifestam grande preocupação em relação ao comportamento do consumo doméstico de carne bovina, que até agora não apresentou a típica pujança de final de ano, período marcado pelos encontros festivos entre familiares e amigos – o que significa mais churrasco (entre outros preparos com carne vermelha) à mesa dos brasileiros.

Paralelamente, as vendas externas de carne vermelha continuam em ritmo mais fraco, principalmente se comparadas aos resultados de embarques efetivados nos meses anteriores ao embargo da China, que foi iniciado em 4 de setembro, depois da confirmação de dois casos atípicos de vaca louca no País (até agora, o governo de Pequim não liberou as exportações de carne brasileira, embora tenha dado sinal verde aos lotes enviados antes da data de suspensão comercial).

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Segundo levantamento da IHS, poucas unidades brasileiras conseguiram avançar as suas escalas de abate para além do dia 20 de dezembro.

No entanto, relata a IHS, muitos frigoríficos garantem que as programações contendo os lotes de animais gordos já negociados no mercado (porém, ainda não embarcados aos frigoríficos) já são suficientes para atender os compromissos de demanda para esta época de fim de ano.

Desta forma, embora a oferta de animais prontos para abate se mostre enxuta, muitas indústrias testam negócios a valores abaixo das máximas vigentes.

Porém, os poucos negócios efetivados envolvem pequenos carregamentos, que, para o momento, servem para fechar algumas lacunas nas escalas de abate das indústrias, afirmam os analistas da IHS.

Giro pelas praças – Novos ajustes negativos nos preços da arroba foram observados entre algumas regiões do Brasil nesta quinta-feira.

No Centro-Oeste, indústrias localizadas no Mato Grosso do Sul fecharam os abates até o dia 21 de dezembro e, dessa maneira, saíram das compras, informa a IHS.

Grande parte dos lotes adquiridos foram negociados a R$ 320/@ (valor bruto), mas agora as indústrias do MS passam a sinalizar valores em torno de R$ 310/@ ou até abaixo disso, acrescenta a consultoria.

Nas praças do Mato Grosso, Minas Gerais, Paraná e Rio de Janeiro, o mercado do boi gordo também registra baixa liquidez e pequenos negócios a valores inferiores aos do começo da semana.

No Norte do País, o dia também foi de ajustes tímidos nos preços da arroba. Boa parte das unidades de abate saíram das compras e, como a oferta é escassa, as baixas na arroba são pontuais.

Futuros caem – Depois de 15 dias de arroba em alta sem absolutamente nenhuma resistência por parte da indústria, a briga entre indústrias e pecuaristas voltou a ficar intensa nos últimos dias, relata o médico veterinário Leandro Bovo, sócio e diretor da Radar Investimentos.

“Com certeza a volatilidade tende a ser grande no mercado futuro nas próximas semanas”, prevê Bovo.

Segundo ele, há apenas uma semana, os contratos futuros do boi gordo com vencimento em dez/21 e jan/22 estavam, respectivamente, em R$ 332/@ e R$ 335/@, e agora estão em R$ 306,50/@ e R$ 312/@.

“O mercado futuro exagerou na alta e com certeza deve exagerar na queda, mas esses exageros sempre abrem ótimas oportunidades. É bom ficar atento”, alerta Bovo.

Comportamento misto no atacado – No mercado atacadista, os preços dos principais cortes tiveram variações mistas nesta quinta-feira.

Enquanto os cortes de traseiro subiram, os cortes de dianteiro, ponta de agulha e carcaça (boi ou vaca casada) recuaram.

A baixa nos preços faz parte das estratégias das indústrias em não prejudicar ainda mais o seu escoamento, pois os cortes bovinos concorrem diretamente com outras proteínas, como o frango e o suíno, cujos preços sofreram novas quedas ao longo deste mês de dezembro.

Cotações máximas desta quinta-feira, 9 de dezembro, segundo dados da IHS Markit:

SP-Noroeste:

boi a R$ 317/@ (prazo)
vaca a R$ 302/@ (prazo)

MS-Dourados:

boi a R$ 310/@ (à vista)
vaca a R$ 296/@ (à vista)

MS-C.Grande:

boi a R$ 307/@ (prazo)
vaca a R$ 298/@ (prazo)

MS-Três Lagoas:

boi a R$ 305/@ (prazo)
vaca a R$ 293/@ (prazo)

MT-Cáceres:

boi a R$ 298/@ (prazo)
vaca a R$ 288/@ (prazo)

MT-Tangará:

boi a R$ 298/@ (prazo)
vaca a R$ 288/@ (prazo)

MT-B. Garças:

boi a R$ 302/@ (prazo)
vaca a R$ 288/@ (prazo)

MT-Cuiabá:

boi a R$ 300/@ (à vista)
vaca a R$ 287/@ (à vista)

MT-Colíder:

boi a R$ 296/@ (à vista)
vaca a R$ 286/@ (à vista)

GO-Goiânia:

boi a R$ 307/@ (prazo)
vaca R$ 296/@ (prazo)

GO-Sul:

boi a R$ 310/@ (prazo)
vaca a R$ 293/@ (prazo)

PR-Maringá:

boi a R$ 305/@ (à vista)
vaca a R$ 286/@ (à vista)

MG-Triângulo:

boi a R$ 317/@ (prazo)
vaca a R$ 296/@ (prazo)

MG-B.H.:

boi a R$ 315/@ (prazo)
vaca a R$ 305/@ (prazo)

BA-F. Santana:

boi a R$ 310/@ (à vista)
vaca a R$ 300/@ (à vista)

RS-Porto Alegre:

boi a R$ 324/@ (à vista)
vaca a R$ 306/@ (à vista)

RS-Fronteira:

boi a R$ 324/@ (à vista)
vaca a R$ 306/@ (à vista)

PA-Marabá:

boi a R$ 288/@ (prazo)
vaca a R$ 278/@ (prazo)

PA-Redenção:

boi a R$ 291/@ (prazo)
vaca a R$ 281/@ (prazo)

PA-Paragominas:

boi a R$ 288/@ (prazo)
vaca a R$ 281/@ (prazo)

TO-Araguaína:

boi a R$ 290/@ (prazo)
vaca a R$ 276/@ (prazo)

TO-Gurupi:

boi a R$ 286/@ (à vista)
vaca a R$ 274/@ (à vista)

RO-Cacoal:

boi a R$ 290/@ (à vista)
vaca a R$ 279/@ (à vista)

RJ-Campos:

boi a R$ 300/@ (prazo)
vaca a R$ 281/@ (prazo)

MA-Açailândia:

boi a R$ 284/@ (à vista)
vaca a R$ 266/@ (à vista)

Fonte: portaldbo.com.br