Consultorias relatam maior procura por animais com padrão exportação, o chamado “boi-China”, que chega a receber em SP um ágio de até R$ 20/@ em relação ao animal comum, direcionado ao mercado interno

Nesta quinta-feira, 10 de fevereiro, o mercado brasileiro do boi gordo seguiu operando com fluxo cadenciado de negócios, com os preços da arroba estáveis na maioria das praças do País, informam as consultorias que acompanham diariamente o setor pecuário.

Porém, no interior de São Paulo, o boi gordo voltou a ser negociado a R$ 337/@ (valor bruto e a prazo), o que significou acréscimo de R$ 2/@ sobre a cotação do dia anterior, segundo levantamento da Scot Consultoria.

“Após uma virada de mês com ofertas relativamente boas na praça paulista, nesta semana, devido à oferta mais enxuta, as escalas de abate dos frigoríficos ficaram um pouco mais curtas, cenário sustentado pela resistência da ponta vendedora nas negociações”, relata a Scot.

A novilha gorda também teve alta diária de R$ 2/@, chegando a R$ 327/@ no mercado paulista (preços brutos e a prazo), e o valor da vaca terminada seguiu estável, a R$ 303/@, informa a Scot.

Dados da Agrifatto apontam para uma valorização maior para animais destinados ao mercado da China, que são abatidos mais jovens, geralmente com idade inferior a 30 meses.

“Enquanto a oferta de boi gordo continua restrita, a demanda por animais que serão destinados à exportação se mantém aquecida, causando um maior diferencial entre o boi-China, que é vendido no mercado paulista na média dos R$ 345-350/@, e o boi gordo comum que é negociado na casa dos R$ 330/@”, informa a Agrifatto.

Na avaliação da IHS Markit, registra-se na maioria das praças brasileiras um fraco apetite das indústrias por animais destinados ao consumo doméstico.

Isso porque os resultados das vendas de carne bovina no mercado interno seguem com desempenho inconsistente, aquém das expectativas do setor, observa a consultoria.

“O mês de fevereiro avança e frustra as perspectivas de repiques de vendas de carne bovina no atacado, que seriam impulsionados pela entrada de massa salarial do período, bem como a retomada das aulas 100% presenciais e o início da volta presenciais dos trabalhadores durante pelo menos alguns dias da semana”, relata a IHS.

Com isso, continua a IHS, as indústrias continuam focadas em garantir boas margens operacionais e diminuir impactos negativos em seus custos de produção.

Neste contexto, um maior descarte de fêmeas por parte dos pecuaristas auxilia na formação das escalas de abate e diminui a pressão por oferta, o que possibilitou quedas nos preços da arroba da vaca nesta quinta-feira em algumas praças do País.

Foram registrados recuos de preços na região de Marabá (PA), com a arroba da vaca caindo de R$ 281 para R$ 276; no Triangulo Mineiro (MG), de R$ 305 para R$ 300; e na região de Belo Horizonte, de R$ 300 para R$ 296.

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A IHS Markit também registrou baixa no preço da arroba do boi gordo em Colíder/Sinop (MT), recuando de R$ 310 para R$ 305.

Especialmente em Rondônia, as operações no mercado do boi gordo seguem travadas, segundo apurou a IHS.

As indústrias no Estado não possuem oferta suficiente de animais terminados para venda, impossibilitando o alongamento das programações de abates.

A dificuldade de compra da matéria-prima já forçou o fechamento de frigoríficos de menor porte, e retirou momentaneamente de operações frigoríficos maiores, informa a IHS Markit.

Plantas frigoríficas no Mato Grosso do Sul também seguem ausentes de operações, sobretudo aquelas que direcionam a sua produção ao mercado doméstico, relata a consultoria.

“Grupos de indústrias da região do MS concentram as operações apenas em unidades que operam com escalas maiores, e retiram as demais de operação”, observam os analistas.

Essa estratégia, informa a IHS, visa a concentração da operação em um número reduzido de plantas, de modo a acomodar as programações de abates em escalas mais confortáveis, atendendo as demandas pontuais e os clientes do mercado externo.

Estabilidade no atacado – Os preços dos principais cortes de carne bovina seguem estáveis no mercado atacadista, informa a IHS.

Cortes de carne desossada e dianteiros ainda seguem com ofertas acima da demanda, porém, neste momento, o mercado não expressa tendência de queda nas cotações, de modo a desovar os estoques remanescentes, avaliam os analistas da consultoria.

Cotações máximas desta quarta-feira, 10 de fevereiro, segundo dados da IHS Markit:

SP-Noroeste:

boi a R$ 340/@ (prazo)
vaca a R$ 305/@ (prazo)

MS-Dourados:

boi a R$ 310/@ (à vista)
vaca a R$ 290/@ (à vista)

MS-C.Grande:

boi a R$ 312/@ (prazo)
vaca a R$ 292/@ (prazo)

MS-Três Lagoas:

boi a R$ 315/@ (prazo)
vaca a R$ 297/@ (prazo)

MT-Cáceres:

boi a R$ 310/@ (prazo)
vaca a R$ 298/@ (prazo)

MT-Tangará:

boi a R$ 310/@ (prazo)
vaca a R$ 298/@ (prazo)

MT-B. Garças:

boi a R$ 320/@ (prazo)
vaca a R$ 296/@ (prazo)

MT-Cuiabá:

boi a R$ 313/@ (à vista)
vaca a R$ 300/@ (à vista)

MT-Colíder:

boi a R$ 305/@ (à vista)
vaca a R$ 295/@ (à vista)

GO-Goiânia:

boi a R$ 315/@ (prazo)
vaca R$ 302/@ (prazo)

GO-Sul:

boi a R$ 317/@ (prazo)
vaca a R$ 305/@ (prazo)

PR-Maringá:

boi a R$ 310/@ (à vista)
vaca a R$ 290/@ (à vista)

MG-Triângulo:

boi a R$ 325/@ (prazo)
vaca a R$ 300/@ (prazo)

MG-B.H.:

boi a R$ 310/@ (prazo)
vaca a R$ 296/@ (prazo)

BA-F. Santana:

boi a R$ 305/@ (à vista)
vaca a R$ 295/@ (à vista)

RS-Porto Alegre:

boi a R$ 330/@ (à vista)
vaca a R$ 310/@ (à vista)

RS-Fronteira:

boi a R$ 330/@ (à vista)
vaca a R$ 310/@ (à vista)

PA-Marabá:

boi a R$ 286/@ (prazo)
vaca a R$ 276/@ (prazo)

PA-Redenção:

boi a R$ 286/@ (prazo)
vaca a R$ 279/@ (prazo)

PA-Paragominas:

boi a R$ 291/@ (prazo)
vaca a R$ 284/@ (prazo)

TO-Araguaína:

boi a R$ 291/@ (prazo)
vaca a R$ 281/@ (prazo)

TO-Gurupi:

boi a R$ 291/@ (à vista)
vaca a R$ 280/@ (à vista)

RO-Cacoal:

boi a R$ 294/@ (à vista)
vaca a R$ 278/@ (à vista)

RJ-Campos:

boi a R$ 307/@ (prazo)
vaca a R$ 293/@ (prazo)

MA-Açailândia:

boi a R$ 283/@ (à vista)
vaca a R$ 264/@ (à vista)

Fonte: portaldbo.com.br