Pelo menos em GO, os pecuaristas locais já sentem o peso da nova decisão chinesa, que embargou a carne bovina produzida pelo frigorífico da JBS, em Mozarlândia; arroba recua R$ 4/@ na praça de Goiânia, segundo a Scot

A partir desta quinta-feira, 24 de março, entrou em vigor a suspensão temporária das importações chinesas de carne bovina oriunda de um grande frigorífico de Goiás – a unidade da JBS em Mozarlândia.

O novo embargo chinês à carne produzida no frigorífico da líder mundial em proteína animal, anunciado na quarta-feira (22/3), criou um ambiente de tensão no mercado pecuário brasileiro.

Pelo menos em Goiás, os pecuaristas locais já sentem o peso da nova decisão chinesa.

Segundo apurou a Scot Consultoria, a notícia de veto à unidade da JBS contribuiu para que as indústrias locais abrissem o mercado lançando preços menores.

Em Goiânia, a cotação do boi gordo caiu R$ 4/@ nesta quinta-feira, e a vaca gorda sofreu retração diária de R$ 2/@, de acordo com o levantamento da Scot. Dessa maneira, a referência para boi, vaca e novilha gordos está em R$ 310/@, R$ 285/@ e R$ 305/@ (preços brutos e a prazo).

Na região Sul de Goiás, as cotações da vaca e da novilha gordas registraram redução diária de R$ 3/@, para R$ 284/@ e R$ 307/@, respectivamente (preços brutos e a prazo), segundo dados da Scot.

Por sua vez, o preço do boi gordo teve baixa de R$ 2/@, e agora é negociado em R$ 310/@.

O carro-chefe da economia local (Mozarlândia e regiões próximas) é exatamente a pecuária de corte, principalmente em virtude da instalação do Frigorífico Bertin (atualmente JBS Friboi) no município.

No mercado paulista, a pressão de baixa na arroba se intensificou nesta quinta-feira, refletindo sobretudo os avanços nas escalas de abate. “Os compradores (de São Paulo) têm ofertado preços menores para todas as categorias”, relata a Scot.

A maior oferta de fêmeas resultou em queda de R$1/@ de vaca gorda no comparativo diário,  agora valendo R$ 295/@, informa a Scot.

No entanto, os preços do boi gordo e da novilha pronta para abater seguiram estáveis nesta quinta-feira, nas praças paulistas, apregoados, respectivamente, em R$ 337/@ e R$ 330/@ (valores brutos e a prazo).

Na avaliação dos analistas da IHS Markit, os frigoríficos brasileiros que atuam com maior volume de operação voltado ao mercado externo estão cadenciando as suas compras de gado, já que há dúvidas em relação à firmeza da demanda internacional.

Segundo a consultoria, com a valorização do real frente ao dólar, a carne brasileira perdeu competitividade no mercado externo.

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No entanto, na avaliação dos analistas da IHS, frente aos outros fornecedores internacionais da proteína, o produto brasileiro ainda é competitivo e, por isso, as exportações não devem ser fortemente impactadas pela queda da moeda norte-americana.

“No entanto, para mitigar eventuais riscos de demanda, as exportadoras brasileiras passam a atuar de forma menos agressiva, o que justifica a estabilidade de preços observada nas principais praças pesquisadas pela IHS Markit”, relata a consultoria (veja abaixo as cotações atuais de machos e fêmeas nas regiões brasileiras).

Mercado interno– Nesta quinta-feira, o mercado físico de boi gordo direcionado ao mercado interno seguiu registrando baixa liquidez de negócios.

Segundo a IHS, as indústrias que atuam com maior volume de operação direcionada ao mercado doméstico passaram a dar preferencias para aquisição de fêmeas, cujos preços estão em torno de R$ 20/@ mais baixos em relação aos valores da arroba do macho.

Nesta quinta-feira, a IHS Markit captou recuo nos preços da arroba do boi gordo na praça de Belo Horizonte (MG) – caiu de R$ 304/@ para R$ 300/@.

Nessa mesma região, a cotação da vaca registrou queda diária de R$ 290/@, para R$ 285/@.

Atacado – Apesar do atual período indicar um consumo baixo de proteína bovina, devido ao menor poder de compra dos brasileiros nesta segunda metade do mês, a competitividade dos cortes bovinos vem avançando quando comparado com os preços das proteínas substitutas, sobretudo a carne de frango, que vem registrando fortes acréscimos nas cotações nas últimas semanas.

No entanto, diz a IHS, os preços dos cortes bovinos seguem estáveis no atacado e varejo, ainda refletindo a morosidade na demanda doméstica.

Cotações máximas desta quinta-feira, 24 de março, segundo dados da IHS Markit:

SP-Noroeste:

boi a R$ 352/@ (prazo)
vaca a R$ 300/@ (prazo)

MS-Dourados:

boi a R$ 310/@ (à vista)
vaca a R$ 290/@ (à vista)

MS-C.Grande:

boi a R$ 312/@ (prazo)
vaca a R$ 287/@ (prazo)

MS-Três Lagoas:

boi a R$ 312/@ (prazo)
vaca a R$ 285/@ (prazo)

MT-Cáceres:

boi a R$ 312/@ (prazo)
vaca a R$ 290/@ (prazo)

MT-Tangará:

boi a R$ 312/@ (prazo)
vaca a R$ 291/@ (prazo)

MT-B. Garças:

boi a R$ 310/@ (prazo)
vaca a R$ 295/@ (prazo)

MT-Cuiabá:

boi a R$ 310/@ (à vista)
vaca a R$ 293/@ (à vista)

MT-Colíder:

boi a R$ 308/@ (à vista)
vaca a R$ 290/@ (à vista)

GO-Goiânia:

boi a R$ 315/@ (prazo)
vaca R$ 295/@ (prazo)

GO-Sul:

boi a R$ 315/@ (prazo)
vaca a R$ 305/@ (prazo)

PR-Maringá:

boi a R$ 310/@ (à vista)
vaca a R$ 290/@ (à vista)

MG-Triângulo:

boi a R$ 330/@ (prazo)
vaca a R$ 300/@ (prazo)

MG-B.H.:

boi a R$ 300/@ (prazo)
vaca a R$ 285/@ (prazo)

BA-F. Santana:

boi a R$ 296/@ (à vista)
vaca a R$ 286/@ (à vista)

RS-Porto Alegre:

boi a R$ 330/@ (à vista)
vaca a R$ 310/@ (à vista)

RS-Fronteira:

boi a R$ 330/@ (à vista)
vaca a R$ 310/@ (à vista)

PA-Marabá:

boi a R$ 291/@ (prazo)
vaca a R$ 275/@ (prazo)

PA-Redenção:

boi a R$ 283/@ (prazo)
vaca a R$ 278/@ (prazo)

PA-Paragominas:

boi a R$ 296/@ (prazo)
vaca a R$ 287/@ (prazo)

TO-Araguaína:

boi a R$ 295/@ (prazo)
vaca a R$ 282/@ (prazo)

TO-Gurupi:

boi a R$ 295/@ (à vista)
vaca a R$ 276/@ (à vista)

RO-Cacoal:

boi a R$ 294/@ (à vista)
vaca a R$ 280/@ (à vista)

RJ-Campos:

boi a R$ 309/@ (prazo)
vaca a R$ 289/@ (prazo)

MA-Açailândia:

boi a R$ 283/@ (à vista)
vaca a R$ 264/@ (à vista)

Fonte: portaldbo.com.br