O Portal DBO ouviu o especialista em carne gourmet, o engenheiro agrônomo Roberto Barcellos, e o pecuarista Altair Burlamaqui, titular da Fazenda Carioca, de Castanhal (PA)

Imagem divulgação internet

Diante de uma conjuntura onde a bovinocultura de corte acaba de entrar em novo ciclo de baixa e o consumo per capita de proteína vermelha do brasileiro caiu para próximo de 24,8kg/ano, o mais baixo em 26 anos, essa temporada que se inicia está mais para a famosa “caixinha de surpresas” do futebol.

No período pré-pandemia, em 2019, a disponibilidade de carne bovina era de 30,6 kg por pessoa no país. Treze anos antes, o levantamento registrou a maior proporção do produto, com 42,8 kg de carne bovina por habitante.

Segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), fornecedora dos números acima, a disponibilidade de carne por pessoa é obtida por meio de um cálculo que soma os números de produção nacional mais importações e subtrai o volume exportado.

Curiosamente, contra a avaliação da Conab, grande parte dos analistas concordam que a oferta de carne bovina vai aumentar. A expectativa é que o Brasil abata em torno de 33,6 milhões de cabeças, em 2023. O incremento é de 3,9% na comparação com 2022, quando foram abatidos 32,3 milhões de cabeças.

Como consequência desse aumento haverá avanço da produção de carne bovina. Segundo a Safras & Mercado, em 2023 o Brasil deve produzir em torno de 9 milhões de toneladas em equivalente carcaça, ante uma produção de 8,7 milhões de toneladas em equivalente carcaça esperadas para 2022, ainda sem números finais.

Importante observar que a estimativa para a produção total de carne no país, em 2022, incluindo aves, suínos e bovinos, é de cerca de 28 milhões de toneladas. A produção de aves deve se manter próxima a 15 milhões de toneladas.

Cenários para 2023 – O especialista em carne gourmet, o engenheiro agrônomo Roberto Barcellos, pecuarista e empresário do produto, separa o universo de consumo de carne bovina em dois mundos distintos.

O primeiro envolve carne de qualidade, gourmet, na maior parte dos casos para churrasco. O outro, do produto comum ou como alguns chamam, commodity.

Foto: Reprodução ACCN

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Em meio às incertezas do momento, há quase dez anos Altair Burlamaqui e Brenno Borges tocam seu projeto de produção de carne bovina de qualidade, a partir de recria e engorda de novilhas F1 Aberdeen Angus x Nelore. Com um complexo de propriedades sob o nome Fazenda Carioca, eles são mais dois pecuaristas que aguardam definições do novo tempo.

Eles entraram com forte trabalho de fomento ao consumo de carne gourmet em Castanhal (PA), importante município do estado, e até na capital, com fornecimento contínuo e escala. A terminação intensiva é abastecida com produção de grãos, também de lavoura própria.

Por enquanto, a demanda pelo produto gourmet só consome 50% da produção e o objetivo para 2023 é de desovar 100%. Para tanto, mesmo diante das intempéries, o trabalho de abertura do varejo continua.

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Fonte: portaldbo.com.br